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domingo, 8 de julho de 2012

AMOR OU TRAIÇÃO?

     O instinto sexual é básico, segundo Freud. Todas as pessoas têm impulsos sexuais diante de quem, de alguma forma, as atrai. E, junto com o agressivo, encabeça a lista dos principais instintos humanos.

     Por isso que, apesar da linda namorada, nossos olhos se perdem na direção oposta das mãos dadas, quando passa uma gostosa ou quando a Juliana Paes aparece pelada na televisão. Essa sensação não tem nada a ver com caráter ou fidelidade. Tem a ver com a natureza humana.

     Mulheres também fazem o mesmo. Se o dentista é um bonitão, ficam ouriçadas durante uma obturação, mesmo com o maridão sentado na sala de espera. Se cruzam com o Rodrigo Santoro, sobe aquele calor que chega a deixá-las até vermelhas. Vergonha por quê se o belo atrai? Se corpos exuberantes dão tesão? Se inteligência é afrodisíaco, mesmo com uma aliança no dedo? São tantas brigas evasivas por um ou dois olhos que se escaparam por um rabo de saia.

     Uma vez na minha festa de aniversário, um amigo veio me cumprimentar. Apresentei minha namorada. Assim que ele virou as costas, ela disse:

- Que amigo bonito.

     Reação instantânea foi a fúria. Olhei vermelho de raiva. Mas seu olhar foi transformando minha ira em segurança. Minha namorada me tornava cúmplice de uma sensação natural em qualquer ser humano. Agora, o fato de compartilhar a fazia especial, madura e certa do que queria. Dizer que achava meu amigo bonito me fazia atento, então, se ela tivesse intenção de me trair jamais me contaria o que sentiu ao vê-lo. E segurar o meu ciúme, também tão natural quanto o instinto sexual, foi a melhor atitude para que nós mantivéssemos nossa cumplicidade e o relacionamento saudável.

     Naquele momento queríamos estar um com outro e não cabia mais ninguém, mesmo que durante o dia nos sentíssemos atraídos por diversas pessoas. Fomos fiéis porque optar por construir uma relação madura de amor vai muito além dos instintos. A razão que não existe nos animais é que faz uso da palavra fidelidade. Diante da força gigantesca do instinto sexual, só um amor verdadeiro para nos fazer fiéis, por muito ou pouco tempo. Amor esse como o de Nacib pela Gabriela de Jorge Amado.

       A traição é  comum, banal. Existe na maioria das relações. Já um amor verdadeiro, não é para qualquer um. Mas se fidelidade a outra pessoa não é o que você procura, não tenha compromisso com ninguém. Seja fiel a você mesmo, a sua liberdade. Muitos homens alegam amor, mas se dizem pegadores e, assim, justificam suas traições, enquanto exigem fidelidade da mulher. Pegador de verdade não fica preso a mulher alguma. Pegador é livre. Tem de ser. Essa liberdade faz parte da sua natureza também. Pegador que tem namorada trai a si mesmo. Ou só pensa que é pegador e acaba traindo por fraqueza, por se achar o tal. Enquanto isso a maioria das mulheres trai por vingança ou carência. E vingança combina com amor? E carência não é falta de amor?

     Trair quem a gente ama é trair a gente mesmo. Nossas escolhas, nossos sentimentos. Quase um auto boicote. Exceto em uma relação aberta, opção clara dos dois. Talvez o ideal para que poligamia e amor andem juntos sem traição. Ou talvez só exista uma terceira pessoa entre um casal porque a relação é calcada em um mero comodismo onde falta o sentimento que precipita o zelo, o respeito, a sinceridade: o amor... próprio.

     Mas independente do motivo, sempre é preciso inventar desculpas, enganar, quando se trai. E quem quer uma relação cheia de mentiras? Uma roleta russa. Vai passando despercebida até que em um estampido coloca a perder tudo o que foi construído. Alguns minutos de prazer em troca do melhor que se tem da vida, do amor, da convivência com os filhos, da confiança, de uma cumplicidade de anos que dificilmente se consegue construir novamente – principalmente nos dias de hoje - e até de uma história de amor que pode estar marcada para ser eterna mesmo antes de a gente nascer. Um encontro de almas que se esvai em um momento de prazer superficial. Então, mais uma vida é necessária para que tudo seja resgatado.

     Por tudo isso, é preciso pensar antes de trair. Um segundo de reflexão onde a gente segura o tesão vulcânico, tão inerente ao ser humano, por um bem maior. Resiste à tentação e garante um futuro pleno em uma relação verdadeira, porque tal maturidade se reflete na qualidade do relacionamento. É quando a gente consegue olhar dentro do olho da pessoa que ama de consciência limpa. O que pode ser muito bom para a pessoa amada, mas é muito melhor para nós mesmos.

     E a consistência do relacionamento também influiu na qualidade de vida afinal, quem não quer um namoro saudável, uma família bacana? Uma relação honesta e sem conflitos? Quem não quer ser feliz?

     E, principalmente, estar de bem consigo mesmo, pois, como canta Jota Quest:

     “Fidelidade ao amor é sempre estar assim, se estou mais perto de você, estou mais perto de mim.”






4 comentários:

KaMinato disse...

Excelente texto, como sempre, Lu! Parabéns!! Completamente certo quando diz que quando traimos quem gostamos, traimos nada mais do que nós mesmos.
Estar realmente junto é cumplicidade, respeito e principalmente exercer plenamente o mais amplo sentido de liberdade que é realmente querer estar junto com alguém.
Então, se esse sentimento impera, trair para que? Por algo momentâneo e de pele, simples pele?
Acredito sim, em fidelidade, cumplicidade e respeito a dois, apesar do corpo, muitas vezes, tentar desviar o foco do que realmente importa.
Querer estar junto com alguém é optar e optar, para quem tem a maduridade necessária, é abrir mão de certas coisas que no fim das contas, podem até dar prazer momentâneo, mas que com certeza, não preenchem. Beijos, querido!!

Anônimo disse...

Lú,querido,excelente texto, como sempre!
Acredito que a maturidade e o autoconhecimento são as questões fundamentais. “A democracia é o pior sistema de governo, à exclusão de todos os demais”, disse Churchill, o mesmo penso da monogamia e da fidelidade. Na verdade, as acho antinaturais. Fosse valer o instinto, apenas, a história seria outra...
Mas vivemos em sociedade, e como ninguém deseja ser traído, também não devemos trair. O importante é ter presente as regras do jogo. Quem prefere um relacionamento aberto, ok, os demais devem andar na linha, sob pena de arriscar algo que não tem preço: um amor de verdade. E nem falo no risco de ser descoberta a infidelidade, me refiro às consequencias que ela acarreta a quem trai, em seu íntimo.
Como bem disseste, se o amor é verdadeiro, trair o ser amado é trair a si mesmo.
Bjs, Cá

Tais disse...

Muito legal Lu!!! E isso mesmo! Amo meu maridao, nosso relacionamento êh super saudável, faz muito bem pra gente!!! Bjs

Semíramis Alencar disse...

Há coisa mais gostosa;
mais mágica e maravilhosa,
do que você já idosa saber seu e sempre ao seu lado, aquele ser que viu tuas rugas surgirem no lugar das saudáveis covinhas? que enxugou suas lágrimas e gargalhou contigo e dormiu tantas noites em conchinha? Não sei se alguém conhece essa doce sensação, a de conhecer alguém como a palma de sua mão? de saber exatamente o que se quer e como dizer sim ou não; de chamar de amorm, de pai, amigo, irmão... tudo assim, ao mesmo tempo, sem medo de errar... amor assim pode ser até difícil de encontrar, mas há de se considerar as inúmeras falhas, imperfeições, você pede laranjas ele compra limões... enfim, nada é perfeito, porém vem o tempo e nos mostra que a perfeição encontramos nesses pequenos momentos onde mesmo os erros e desacertos parecem perfeitos.

Obrigada Luciano, por mais um presente literário. Que um dia você encontre a felicidade de ter um amor assim como eu um dia encontrei o meu, há uns 20 anos...

beijo, amigo

Se