Translate

quinta-feira, 19 de abril de 2012

MATANDO UM TIGRE POR DIA.

     O Rei Tigre urrava de raiva pela entrada de uma cobra em seu reino.

- Expulsei todas as cobras de minha floresta! Como ousas?!!

- Quem disse que a floresta é Vossa?

Indagou a cobra deixando o Rei Tigre mais furioso ainda.

- Todos sabem que é minha!!

- Só porque vós dizeis? Um dia essa terra fora de ninguém.

- Mas eu lhe digo que agora ela é minha!! As árvores são minhas assim como os seus frutos! As flores são minhas, assim como seus perfumes!! Os animais estão sob meu reinado!! Todas as pedras preciosas são minhas!

- E por quê nós, cobras, não podemos ficar?

- Porque vocês não têm valor nenhum. São imprestáveis. Sua carne é indigesta! Vocês não têm patas para marchar rumo à guerra, nem garras para trazer-me alimentos ou ouro. Suas formas alongadas são abomináveis e a textura de suas peles repugnante.

- Não é porque não somos valiosas para Vossa Majestade que não temos valor para o universo.

- Se não têm valor para mim, não servem para nada. Precursoras do pecado!

- Quanto preconceito...

- Uma cobra jamais se chamaria Narcisa.

- Olha, Rei, tenho um veneno que temo usar, apesar de minha natureza imperfeita, mas Vossa Excelência destila um veneno que nem deveras tem. O fabrica pelo esforço em maldade.

- Sua cobra petulante! Olha para mim e olhe para você. Estou por cima, sou mais forte. E você é um réptil desprezível e amputado. Arrepender-se-a de me afrontar!

     E o Rei Tigre tentou esmagar a cobra com sua pata. Ágil, a rastejante escapou. O Rei, então perseguiu a cobra que laçava-se por entre as majestosas patas no ziguezague do medo. Até que, sem mais paciência, o Rei pegou sua arma de fogo. Apontou para a cobra. Ela, em um instinto de defesa, deu o bote e picou o umbigo do rei. Uma gota de veneno e o Rei foi ao chão, perdendo seus sentidos para sempre. Sua vangloriosa majestade, então, perdeu a razão de ser.

     Um anjo invisível aproximou-se do rei e estendeu-lhe a mão. O Rei Tigre revoltado com a nova condição esbravejou:
- Me digas!!! Como uma cobra, um bicho tão ínfimo, pôde derrubar um soberano sobre seu reinado?!

- É que, enquanto Majestade, você passou sua existência inteira sem entender uma fundamental lei da vida.

- Que lei ?!

- O verdadeiro poder está na essência.





3 comentários:

Semíramis Alencar disse...

A verdadeira majestade está naquele que vence pelos argumentos sensatos e não pela violência.
A verdadeira majestade não é soberba e tão pouco se vangloria da desgraça alheia.
A verdadeira majestade sabe se curvar diante de um oponente e se impôr pela
inteligência e o momento oportuno.

Obrigada, Luciano, sempre com uma mensagem de otimismo!

Sic transit gloria mundi

Se

Gui (Garpereira) disse...

Boa historia, muito legal, a essências é bem única e turva, vivemos matando tigres no dia a dia, mas nao damos o valor devido, ah! já que falou de historia com animal, está e boa também: Lição do Rato

Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote.
Pensou logo no tipo de comida que haveria ali. Ao descobrir que era ratoeira ficou aterrorizado.
Correu ao pátio da fazenda advertindo a todos:
- Há ratoeira na casa, ratoeira na casa!!

A galinha:
- Desculpe-me Sr. Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me
incomoda.
O rato foi até o porco e:
- Há ratoeira na casa, ratoeira !
- Desculpe-me Sr. Rato, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser orar. Fique tranqüilo que o Sr. será lembrado nas
minhas orações.

O rato dirigiu-se à vaca e:
- Há ratoeira na casa!
- O que? Ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não! Então o rato voltou para casa abatido, para encarar a
ratoeira.

Naquela noite, ouviu-se um barulho, como o da ratoeira pegando sua vítima... A mulher do fazendeiro correu para ver o
que havia pego. No
escuro, ela não percebeu que a ratoeira havia pego a cauda de uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher...

O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital. Ela voltou com febre. Todo mundo sabe que para alimentar alguém com
febre, nada melhor que
uma canja de galinha. O fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal.

Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la. Para alimentá-los, o fazendeiro matou o
porco. A mulher não melhorou e acabou morrendo.
Muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a vaca, para alimentar todo aquele povo.

Moral da História:
Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz
respeito, lembre-se
que quando há uma ratoeira na casa, toda fazenda corre risco. O problema de um é problema de todos!

PS.: excelente fábula para ser divulgada principalmente na família e em grupos de trabalho!
"Nós aprendemos a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas ainda não aprendemos a conviver como irmãos."

Luciano Cazz disse...

Muito legal Guilherme. Esse ideal q vc já tem dentro de vc, é o ideal de um paraíso na terra. Quem sabe um dia? Mas nunca percamos a esperança e a fé.
gde abraço