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quarta-feira, 20 de julho de 2011

NEM PARA PRESIDENTE DO BRASIL

    Com a corrupção descarada e inerente à política de nosso país, a maioria dos políticos visa se eleger para enriquecer rapidamente. É o lema de JK, 50 anos em 5. E eles quadruplicam seus patrimônios se aposentando como em um flash com salários de causar invejar a todos trabalhadores brasileiros, enquanto a educação e a saúde continuam a mesma porcaria.
    Já o Nem entrou no tráfico por um motivo, pasmem, nobre. Deve ter deixado um emprego qualquer com o mesmo salário dos bombeiros – R$ 900,00 mensais – para se tornar o traficante mais poderoso do Rio de Janeiro e faturar 2 milhões por mês. Reviravolta contundente por causa da filha que nasceu doente associada à falta de grana para pagar o tratamento dela. Não justifica, mas explica muita coisa.

    Os políticos corruptos desviam o dinheiro que nós somos obrigados a pagar com os impostos. Caso contrário, podemos ser presos e pagar uma multa generosa. Agora cá entre nós, o Nem obriga alguém a comprar drogas? Pode até obrigar a pagar, mas a comprar não. No país que tem a maior carga tributária do mundo, a gente escolhe enriquecer o traficante de drogas e é obrigado a enriquecer a maioria dos políticos. E o Nem, ironicamente, não paga impostos. O que acho uma tremenda sacanagem, afinal, muitos políticos também usam drogas.

    Um dos lemas do crime é “não dar volta em ninguém”. Chega ser curioso para um grupo que leva o rótulo de bandido. Agora imagina esse lema em Brasília? É de fazer rir. Seria adotado apenas para legitimar todas as suas mentiras.

    Mas uma coisa há de se pesar. A quantas mortes um traficante está ligado? Seja usuários devedores, X9, traficantes rivais ou policiais. É um dado longe de ser irrelevante. É claro que dentro da legalidade tal negócio não teria tantas mortes. Os X9 não teriam o que entregar. Os policiais não confrontariam os empresários das drogas, os pontos de venda seriam registrados evitando disputas rivais. E os usuários, caso deixassem de pagar pela droga, entrariam no SPC ou Serasa.

    Engraçado até, mas vamos agora pensar em quantas mortes um político corrupto está envolvido. Esquecendo PC Farias e Celso Daniel, posso dar o exemplo do pai de uma amiga: Ele começou a ter sintomas de câncer. Procurou um hospital público e conseguiu marcar a consulta apenas para 3 meses depois. Para fazer o exame foram mais 2 meses. Depois mais 3 para uma nova consulta e o tumor já atingia 6 cm. Para o início do tratamento, mais inacreditáveis 2 meses de espera. Na primeira quimioterapia já havia duas metástases e logo veio a falecer aos 47 anos, deixando uma filha de 18. E foi exatamente dessa situação vergonhosa da saúde brasileira que o Nem fugiu com a filha para o tráfico de drogas.

    Quantas pessoas nesse país já não foram vítimas desse descompromisso com a saúde brasileira? Morreram em conseqüência da ausência de médicos, nos corredores de hospitais super lotados, em casa esperando um atendimento que deveriam ter prontamente. E não é por falta de dinheiro. E sim, por causa dos bandidos... Neste caso, políticos, que nos obrigam a pagar - redundantemente - impostos e planos de saúde para não morrermos na fila de espera.

    Quantos meninos as escolas já perderam para o tráfico? Com professores ganhando uma miséria nas escolas em estado precário com uma merenda quase de presidiário, porque os políticos também desviam esse dinheiro. Se eles desviam até a verba do hospital de câncer infantil, será que existe algum lugar que a corrupção não alcance?

    Vamos para a Rocinha e perguntamos quantas famílias o Nem já ajudou? Quantas vidas abaladas pela saúde ele salvou na favela? Quantas cestas básicas já distribuiu nos 6 anos de domínio? Quantos moradores ele já evitou o despejo? Quanto dinheiro do tráfico já entrou na associação de moradores virando benefício para a Rocinha. Estupradores não têm perdão na favela, principalmente os pedófilos. E, pasmem, ladrões na Rocinha, não têm vez. São expulsos. Dá pra acreditar que no congresso que governa o nosso país tem mais ladrões que nos 100 mil habitantes da Favela da Rocinha, uma das maiores distribuidoras de drogas do Brasil?

    A família Sarney, que está entre as mais ricas do país, domina o estado do Maranhão há décadas, e esse estado é um dos mais pobres do Brasil. Hoje é mais interessante ser um pobre na Rocinha do que no Maranhão, porque a ilegalidade do Nem é mais eficiente que o governo de um político cujo sobrenome seja Sarney.

    Traficantes são marginais à sociedade. Ou seja, são bandidos declarados. Cabe a eles fazer gato e ter laranjas. Agora os políticos estão lá para zelar pelo bem comum. Mas o bem vem como artifício para se criar licitações e assim faturar com as luvas no tráfico de influências. Opá! São traficantes também? E esse crime é muito mais nocivo ao nosso país, porque legitimar o tráfico de drogas é uma escolha clara da sociedade, ou parte dela. A corrupção não.

    Imagino o Nem vendo uma entrevista do Maluf de braços cruzados, balançando a cabeça negativamente e dizendo pra si mesmo. “Esse cara é muito bandido”. E, aqui no Brasil, ele tem moral para dizer isso. Aliás, se o Nem fosse presidente do nosso país, além do Maluf, o Collor, a família Sarney, o Palocci, a patota do valerioduto e a maioria corrupta do nosso país, ao invés de reeleitos, já teriam virado comida de pitbull e estariam esqueleticamente acimentados compondo a estrutura das paredes dos barracos da favela. Ou em situação pior, por que se esse é o rumo de quem trai a facção, imagina o que o Nem faria com quem trai a própria pátria.

    A idéia não é levantar bandeiras a favor de traficantes, até porque eu não sou usuário de drogas e nunca dei um tostão para o tráfico. Nem quero comparar o Nem com a Norma Amaral, vilã que eu tive o prazer de conhecer pessoalmente, ou justificar o crime sob alegação de um insensato coração. Não. Não é isso. Este é sim, um protesto irônico contra a “politicanagem” do nosso país porque é surreal imaginar que, com o Nem na presidência do Brasil, ao invés desse bando de ladrões, teríamos um país possivelmente mais justo.

    Um traficante no governo? Nem... é de se pensar.


2 comentários:

PAULO RICARDO disse...

Sem dúvida nenhuma esta foi a melhor crônica que tu escreveste,digo isto porque este é um problema que assola o país desde que me conheço por gente nem por isso devemos cruzar os braços e deixar que o tempo resolva, até porque a história tem nos mostrado que só quem tem poder pra mudar este quadro de corrupção e roubalheira é o povo e este melhorou muito desde que fui criança até os dias de hoje mas ainda está muito longe de ser um povo culto de olhos abertos pra tudo que está acontecendo há alguns anos. Não morro de amores por político algum,porém, quero fazer uma citação de Brizola quando disse que o país não precisava de leis mais do que o povo de cultura,acertou em cheio. A curto prazo não resolveremos esta sujeira toda,não sem dar cultura ao povo,ensiná-los a ler enquanto crianças,fazê-los gostarem da política,pois,ela sempre fez e sempre fará parte da nossa vida,uma pessoa alienada é um prato cheio para um político mau caráter,a criança de hoje é o homem do amanhã que vai votar,dirigir e servir o país. Eu,quando adolescente,surgiu um slogan muito conhecido que dizia assim: BRASIL,ESTE É O PAÍS DO FUTURO,pois é Luciano mas este futuro está muito demorado. Quem sabe vou viver prá ver ? ...quem sabe !?

Luciano Cazz disse...

Que bom que vc entendeu Paulo! A idéia é justamente essa... pq a gente as vezes nem se dá conta do que está acontecendo pq legitima o poder como correto.
Bela citação do Brizola, mas aqui no Rio ele criou uma lei quando foi governador proibindo ações no morro, e então o tráfico ganhou espaço.